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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Aplicativo PCF

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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Evangeliza - Raio de Sol

Raio de Sol



Se desejas aprender a lição da indulgência, observa o raio de sol.
Dissipando a treva noturna, desce à Terra, cada dia, recapitulando, mil vezes, o mesmo ensinamento de serviço e de paz.
Não indaga pelas sombras da furna.
Não teme os vermes que se lhe associam.
Não se queixa da corrente enfermiça que flui do despenhadeiro.
Desce, contente e feliz, à intimidade do precipício, com a mesma radiação com que nutre fontes e flores.
Aquece o sábio e o ignorante, o santo e o malfeitor, os justos e os injustos, os bons e os maus, com a mesma generosidade, dentro da qual assinala os cimos do Céu.
Ampara a erva daninha e o bom grão, a árvore valiosa e o arbusto infeliz, com o mesmo carinho no qual se desdobra, claro e otimista, sobre lares e asilos, escolas e templos, hospitais e jardins. 
Se a nuvem lhe empana o caminho, espera que a nuvem se dissolva e torna a fulgurar.
Se a tempestade agita o firmamento, aguarda a recuperação da harmonia e volta a missão do amor... 
Não te esqueças.
O mundo jaz repleto de obstáculos da incompreensão, de tormentos do ódio, temporais de lágrimas, provações e infortúnios.
Aqui, em vales de sombra, medra, o escalracho da discórdia, ali, abre-se o abismo de aflitivas desilusões. Além, multiplicam-se cardos venenosos do orgulho e do exclusivismo, da penúria e da crueldade, e mais além, destacam-se, agressivos e contundentes, largos espinheiros de intolerância...
Não perguntes, porém, pelos impedimentos prováveis. 
Não relaciones as inquietações da marcha.
Recorda, que o Cristo é o Sol de nossas vidas e sê para as sendas que te cercam o raio de sol infatigável no bem, espalhando em tua passagem o júbilo da esperança renascente, o dom imperecível da luz e a graça do perdão.
Aprendamos a entesourar os dons da vida, respeitando os ensinamentos que o mundo nos impõe, na certeza de que entre a humildade e o trabalho, alcançaremos, um dia, os cimos da Luz.
(Espírito Emmanuel.  Livro: Jóia. Psicografado por Chico Xavier).


O Raio de Sol e Palavra

Queria ser mais como o raio de sol, aquele primeiro feixe de uma manhã esperada por alguém que chorou a noite demorada, acreditando que ela não terminaria nunca.
Queria ser mais como o raio de sol de fim da tarde, que surpreende a nuvem densa, e se projeta sobre a cidade quase escura, dizendo: "Ainda estou aqui..."
Queria ser mais como o raio de sol que contorna o menino no parque, fazendo-o descobrir as formas de sua própria sombra na grama verde, como se fosse outro ser, fora dele...
Queria ser mais como o primeiro raio de sol depois de intensa tempestade: humilde, discreto, eficaz e útil.
Queria ser mais como o raio de sol que, após estar por algum tempo, ainda permanece, mesmo depois de ter ido, na forma de calor.
Queria ser mais como o raio de sol que passa por entre os prédios da metrópole, ousado, buscando frestas, reflexos, para alcançar finalmente o cidadão comum na rua, não fazendo distinção alguma.
Queria ser mais sol e menos sombra.
Mais raio e menos palavra.
(Poema - Mais raio e menos palavra, de Andrey Cechelero).

Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras.
(São Francisco de Assis).



quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Evangeliza - Deus Primeiro

 Deus Primeiro



27 - DEUS PRIMEIRO

Caminharás, muitas vezes, no mundo, à maneira de barco no oceano revolto, sob a ameaça de soçobro, a cada momento; entretanto, pensa em Deus primeiro e encontrarás o equilíbrio que reina, inviolável, no seio dos elementos.

Se a natureza parece descer à desordem, prenunciando catástrofe, não permitas que a tua palavra se converta em agente da morte. Fala em Deus primeiro.

Antes das destruições que hoje atribulam a Humanidade, outras destruições ocorreram ontem, mas Deus plantou, em silêncio, novas cidades e novos campos onde a ventania da transformação instalara o deserto.

Se os profetas da calamidade e da negação anunciarem o fim do mundo, traçando quadros de aflição e terror, crê em Deus primeiro. Recordando que ainda mesmo da cova pequenina, em que a semente minúscula é sepultada, o Senhor faz nascer a graja do perfume e a beleza da cor, a abastança da seiva e a alegria do pão.

Se a dor te constringe o peito, em forma de angústia ou abandono, tristeza ou enfermidade, recorre a Deus primeiro.

Ele será teu refúgio na tempestade, companheiro na solidão, esperança nas lágrimas, remédio no sofrimento.

Diante de toda provação e à frente dos próprios erros, busca Deus primeiro.

Ele, que mantém as estrelas no Espaço e alimenta os vermes no abismo, ser-nos-á sustento e consolo.

Nesse ou naquele problema, quanto nessa ou naquela dificuldade, confia em Deus primeiro e sentirás que a nossa própria vida é uma bênção de luz, para sempre guardada nos braços do Amor Eterno.

 Emmanuel 

 (EMMANUEL (Espírito). Do livro: Caminho Espírita. Médium: Francisco Cândido Xavier. Cap.27 Deus Primeiro. Pag.: 32).

domingo, 22 de junho de 2025

Evangeliza - O Perfume da Vida

 O Perfume da Vida



Recorda que a humildade é o perfume eterno da vida. Jesus, o Sol Divino, brilhou na Terra sem ofuscar
a ninguém.

Rei Celeste, apagou-se nas palhas da estrebaria para não confundir os homens desvairados de orgulho,
embora viesse acordá-los para a justiça.

Anjo dos anjos, desce ao convívio das criaturas frágeis e delinqüentes, sem destacar-lhes as chagas vivas, não obstante guardar entre lãs o objetivo de iluminar-lhes o roteiro.

Médico Infalível, busca os doentes do mundo sem denunciar-lhes as enfermidades e as culpas, embora
conservando o propósito de restituir-lhes o equilíbrio e a segurança.

Sábio dos sábios, entende-se com os ignorantes de todas as procedências, sem salientar-lhes a sombra, não obstante procurar-lhes a companhia para clarear-lhes a senda.

Poderoso condutor da imortalidade, aproxima-se dos velhos e dos fracos, das mulheres e das crianças, sem
anotar-lhes as mazelas e as cicatrizes, embora lhes buscasse a presença para sublimar-lhes os corações.

Mestre da luz, não condena os que vagueiam nas trevas, soberano da eternidade, não abandonas os que se
desesperam nos precipícios da morte...

Lembrando-lhe a bondade infinita, detenhamo-nos no ensejo de auxiliar.

Todavia, para auxiliar, é imprescindível não criticar nem ferir.

Na obra do Evangelho, somos chamados à maneira de
lavradores para o serviço de amparo à semente da perfeição no campo imenso da vida.

No entanto, para que o dever bem cumprido nos consolide as tarefas é necessário que a humildade,
por perfume do Céu, nos inspire todos os passos na terra, de vez que Jesus é o amor de braços abertos,
convidando-nos a entender e servir, perdoar e ajudar, hoje e sempre.

Através do Tempo - Emmanuel -
Psicografia de Francisco Cândido Xavier





sexta-feira, 9 de maio de 2025

Evangeliza - Uma estória contada por Chico Xavier

 Uma estória contada por Chico Xavier




No livro Chico Xavier Mandato de Amor, Geraldo Lemos Neto nos apresenta interessante relato sobre Teresa de Ávila, que viveu entre os anos de 1515 e 1582 na Espanha, época do ¨século do ouro¨, quando a Península Ibérica, sob o reinado de Carlos V e Felipe II, elevava-se a potência mundial.

Esse período é conhecido pelas temidas conquistas espanholas nas Américas, onde se registra os maiores gestos de terror, as sucessivas disputas e opressões, os morticínios e domínios, os horrores do tribunal da Inquisição e a posição definitiva contra os movimentos da Reforma.

Teresa de Ávila viveu esse tempo tumultuado e triste, vivenciando intensamente o descontrole dos valores humanos, porém, sempre convicta dos seus ideais religiosos e da sua fé inabalável.

Nascida em família abastada, ao completar 21 anos de idade, entrou para o Convento Carmelita da Encarnação, em Ávila, passando-se chamar por conta própria de Teresa de Jesus, assumindo uma atitude combativa em favor dos semelhantes.

Sua tarefa missionária pelo território espanhol foi ganhando aos poucos a devida importância, tornando-se fiel aos propósitos libertadores e amorosos tão mencionados por Jesus. Aos poucos foi angariando a simpatia de inúmeros adeptos ao seu ministério de lutas fervorosas, e graças ao seu estilo inegável de fraternidade, benevolência, coragem, fé e confiança, continua fiel a Jesus no trabalho missionário como espírito convicto ao serviço do bem.

Ela se revelou também uma grande poetisa, deixando inúmeras poesias de amor a Deus, visando encorajar a humanidade diante dos instantes mais difíceis da vida.

Chico Xavier, através da sua mediunidade, vem nos contar essa passagem excelente, cheia de espiritualidade e esperança, quando por ocasião do perigo eminente Jesus vem ao encontro de Teresa de Ávila, salvando-a da morte.

Geraldo Lemos Neto escreve em seu artigo, que certa vez, buscando colaboração de um senhor de terras muito rico, que lhe havia prometido auxílio, Teresa de Ávila, seguindo a pé pelos caminhos do campo, viu que uma tempestade se anunciava. Nuvens carregadas se aproximavam ameaçadoras.

Apressou o passo, então, lembrando-se que, para chegar à fazenda em questão, deveria atravessar o caudaloso rio.

Infelizmente, porém, a chuva desabou impiedosa. Teresa não se intimidou e, atingindo a margem do rio, procurou passar pelo vau, a fim de cumprir a travessia com segurança, pela parte mais rasa. A força de sua extrema confiança em Jesus, Nosso Senhor, não lhe faltou. Extremamente concentrada, rogou auxílio de Mais Alto.

Na luta desesperadora para vencer as águas e sobreviver, vislumbrou a presença excelsa de Jesus.

O Mestre Divino ofereceu-lhe o apoio de seus braços fortes, agarrando-a pela mão.

Teresa salvou-se. Profundamente agradecida pelo amparo celeste exclamou:

- Ah, Senhor! Graças à sua misericórdia, estou viva! Estou a salvo do perigo! Com o seu auxílio bondoso, venci a travessia do vau!

E Jesus, compassivo, retrucou-lhe:

- ¨Você está vendo, Teresa? É assim, em meio aos perigos da estrada, que eu trato os meus discípulos e os meus amigos queridos!¨

Teresa de Ávila ouviu atentamente o Senhor. Logo após meditar um pouco, redarguiu ao Mestre, em tom curioso, revelando um lúcido senso de humor:

- Oh, senhor, compreendo! É por isso que os tendes em tão poucos!

A revelação nos faz refletir sobre a responsabilidade que temos diante de nossas tarefas, bem como o Mestre Jesus, nunca abandona os seus tutelados no cumprimento dos deveres de fraternidade.

Chico Xavier, como excelente contador de estórias, nos mostra entre linhas como podemos servir mais, enquanto estamos mergulhados nos afazeres da reencarnação, ou seja, enquanto estamos a caminho do aperfeiçoamento espiritual.

Diante das nossas lutas é dever considerar as sábias palavras de Teresa de Ávila, diante do perigo quando diz:

- Nada te turbe. Nada te espante. Tudo passa! Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta.

(Artigo do Jornal: Jornal Correio Espírita - Maio 2016).

domingo, 4 de maio de 2025

Evangeliza - Educação

 Educação




Educa o terreno e terás o pão farto. Educa a árvore e receberás a bênção da fartura. Educa o minério e obterás a utilidade de alto preço. Educa a argila e plasmarás o vaso nobre.

Educa a inteligência e atingirás a sabedoria. Educa as mãos e acentuarás a competência. Educa a palavra e colherás simpatia e cooperação. Educa o pensamento e conquistarás a ti mesmo.

Sem o alfabeto anoitece o espírito. Sem o livro falece na cultura. Sem o mérito da lição a vida seria animalidade. Sem a experiência e a abnegação dos que ensinam, o homem não romperia as faixas da infância.

Em toda parte, vemos a ação da Providência Divina, no aprimoramento da Alma Humana.

Aqui é o amor que edifica. Além, é o trabalho que aperfeiçoa. Mais adiante é a dor que regenera.

Meus amigos, a Terra é nossa escola milenária e sublime. Jesus é o Nosso Divino Mestre. O espiritismo sobretudo, é obra de educação. Façamos da educação com o Cristo, o culto de nossa vida, para que a nossa vida possa educar-se e educar como Senhor, hoje e sempre.


Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Taça de Luz” – Edição LAKE


domingo, 26 de maio de 2024

Tem bom ânimo!

 Tem bom ânimo!

(CLÉLIA ROCHA)


Não desanimes.
Por mais turbilhonária e dolorosa te seja a existência, não olvides três recursos essenciais ao sustento da paz íntima: a prece, a leitura edificante e o serviço desinteressado em favor do próximo.
Freqüentemente, empolgado pelas tribulações que o absorvem nas lides terrestres, distancia-se o homem do mundo espiritual que o rodeia, esquecendo esse trio de amor e luz. Entretanto, em qualquer circunstância, a oração alivia, a página consoladora esclarece e mera demonstração de bondade atrai, para quem a pratica, o reconhecimento de quem o recebe, por fator de renovação.
Não vaciles, desse modo, na própria fé. Confia, educa-te e trabalha amparando sempre, na convicção de que os Mensageiros Divinos jamais te abandonam .
Chaves da fortuna amoedada não te abrirão portas para a tranqüilidade da alma; cetros de autoridade passageira não te solucionarão problemas do espírito e o falso repouso da fuga comprada não te suprime as sombras da consciência.
No que tange à individualidade imperecível, só existe uma diretriz clara e justa: a preparação do futuro espiritual.
Na prodigiosa orquestra de forças, formas, sons, cores e movimentos de que se compõe a vida, não permitas que as tuas obrigações propriamente humanas, respeitáveis mas transitórias, te desfigurem a visão da realidade.
Não te admitas ao desamparo. Recolhe o socorro que a Providência te oferta na feição deserviço.
Não demandes auxílio somente a distância. Ajuda a ti mesmo.
Entreabre o celeiro da própria confiança e sorri, ainda mesmo no seio de pesares e aflições.
Não te incomode sofrer. Chora, a caminho da alegria perfeita, como quem chora guardando a luz da consciência pacificada no dever irrepreensivelmente cumprido. Todos os sofrimentos trazem consolo, mesmo aqueles, físicos ou morais, que afligem as criaturas em maior grau de intensidade à face da violência com que se manifestam, quais sejam o desastre, a moléstia inesperada, o desentendimento ou a desilusão.
O mal temporário, suportado com paciência faz-se bem definitivo.
Por que motivo agravar provações no pessimismo devastador?
Ninguém vive sem compromissos perante a Lei. Quem ainda não delinquiu? O erro é comum na escola de cada dia. Urge, porém, apagá-lo e prosseguir na lição.
A queda é acidente natural no esforço de quem se movimenta e constrói.
Importa, contudo, levantar e reaprender.
Encoraja-te, pois, e segue adiante, espalhando o bem, porque, em toda dificuldade, basta que te arrimes à fé simples e pura, para ouvires a voz do Senhor a dizer-te no coração:
— Tem bom ânimo! Para que duvidar?

(ROCHA, Clélia. Seareiros de Volta. Psicográfado por. Waldo Vieira. FEB. Págs. 45 e 46).

domingo, 19 de novembro de 2023

Vencerás

 Vencerás

(Emmanuel)





Não desanimes.
Persiste mais um tanto.
Não cultives pessimismo.
Centraliza-te no bem a fazer.
Esquece as sugestões do medo destrutivo.
Segue adiante, mesmo varando a sombra dos próprios erros.
* * *
Avança, ainda que seja por entre lágrimas.
Trabalha constantemente.
Edifica sempre.
Não consintas que o gelo do desencanto te entorpeça o coração.
Não te impressiones à dificuldade.
Convence-te de que a vitória espiritual é construção para o dia-a-dia.
* * *
Não desistas da paciência.
Não creias em realização sem esforço.
Silêncio para a injúria.
Olvido para o mal.
Perdão às ofensas.
Recorda que os agressores são doentes.
Não permitas que os irmãos desequilibrados te destruam o
trabalho ou te apaguem a esperança.
Não menosprezes o dever que a consciência te impõe.
Se te enganaste em algum trecho do caminho, reajusta a própria visão e procura o rumo certo.
* * *
Não contes vantagens nem fracassos.
Estuda buscando aprender.
Não te voltes contra ninguém.
Não dramatizes provações ou problemas.
Conserva o hábito da oração para que se te faça luz na vida íntima.
* * *
Resguarda-te em Deus e persevera no trabalho que Deus te confiou.
Ama sempre, fazendo pelos outros o melhor que possas realizar.
Age auxiliando.
Serve sem apego.
E assim vencerás.


(XAVIER, Francisco Cândido. No livro: Astronautas do Além. Pelo Espírito Emmanuel).

domingo, 21 de maio de 2023

Coerência

 Coerência



Atribui-se a Mahatma Gandhi uma das mais belas histórias que já tive a oportunidade de ouvir. Conta-se que, em determinado dia, Gandhi andava pelas ruas da Índia quando foi surpreendido por um guarda britânico, que sem nenhum motivo proferiu um soco em seu rosto, levando-o ao solo.

Gandhi se levantou, sem proferir uma única palavra de protesto, e prostrou-se de pé diante do soldado que sem hesitar proferiu um segundo soco em Gandhi, que novamente tombou ao chão.

Nesse momento, uma multidão começou a se aglomerar ao redor da confusão, formada por transeuntes que presenciaram o ato de violência. Temendo o pior, Gandhi tenta acalmar o ímpeto de revolta da população.

O soldado impetuoso e irônico pergunta a Gandhi: “Covarde! Quem te ensinou a não reagir?”. Calmamente Gandhi levanta o braço e aponta o dedo para o peito do soldado lhe dizendo: “Foi esse homem preso à cruz, pendurada em teu peito”.

O soldado então coloca a mão no crucifixo que carregava em seu pescoço e constrangido com a resposta de Gandhi, evadiu-se do local sem nada dizer.

Gandhi não era cristão, era hindu, mas naquele momento foi capaz de exercer um dos preceitos cristãos mais difíceis de serem executados, “oferecei a outra face”.

Qual daqueles dois homens foi de fato coerente com a sua fé? O que agiu com violência ou aquele que agiu com mansuetude?

Sejamos coerentes com a nossa fé e lembremos qual a verdadeira razão de sermos Cristãos.


terça-feira, 16 de maio de 2023

Amor

Amor
(João de Brito)




O Amor, sublime impulso de Deus, é a energia que move os mundos:
Tudo cria, tudo transforma, tudo eleva.
Palpita em todas as criaturas.
Alimenta todas as ações.

***

O ódio é o Amor que se envenena.
A paixão é o Amor que se incendeia.
O egoísmo é o Amor que se concentra em si mesmo.
O ciúme é o Amor que se dilacera.
A revolta é o Amor que se transvia.
O orgulho é o Amor que enlouquece.
A discórdia é o Amor que divide.
A vaidade é o Amor que ilude.
A avareza é o Amor que se encarcera.
O vício é o Amor que se embrutece.
A crueldade é o Amor que tiraniza.
O fanatismo é o Amor que petrifica.
A fraternidade é o Amor que se expande.
A bondade é o Amor que se desenvolve.
O carinho é o Amor que se enflora.
A dedicação é o Amor que se estende.
O trabalho digno é o Amor que aprimora.
A experiência é o Amor que amadurece.
A renúncia é o Amor que se ilumina.
O sacrifício é o Amor que se santifica.
O Amor é o clima do Universo.

***

É a religião da vida, a base do estímulo e a força da Criação.
Ao seu influxo, as vidas se agrupam, sublimando-se para a imortalidade.
Nesse ou naquele recanto isolado, quando se lhe retire a influência, reina sempre o caos.
Com ele, tudo se aclara.
Longe dele, a sombra se coagula e prevalece.
Em suma, o bem é o Amor que se desdobra, em busca da Perfeição no Infinito, segundo
os Propósitos Divinos; e o mal é, simplesmente, o Amor fora da Lei.

(XAVIER, Francisco Cândido. Falando à Terra. Espíritos Diversos - João Brio. Página 57 - Amor).

domingo, 30 de abril de 2023

Evangeliza - Auta de Souza

 Auta de Souza


TROVAS PARA JESUS
Auta de Souza

Caridade, onde estiveres
Lenindo as dores de alguém,
Onde sirvas, onde fales,
Jesus estará também.


A JESUS
Auta de Souza

Senhor! Protege os corações cansados
Que se vão sem conforto e sem guarida,
No aguaceiro de lágrimas da vida, vida,
Indiferentes ou desesperados.

Ascendem para os céus todos os brados
Da alma humana tristonha e dolorida!
Balsamiza, de amor, toda a ferida.
Que punge o coração dos degredados;

Degredados na terra tenebrosa,
Terra da sombra estranha e dolorosa,
Recamada de prantos e espinhos!

Ampara, meu Jesus, quem vai chorando,
Entre dores e acúleos, soluçando,
Na miséria de todos os caminhos.


SEMPRE COM JESUS
Auta de Souza

Não te detenhas! Segue, alma querida,
Vara o próprio caminho em sombra e vento,
Resguarda o coração tranqüilo e atento
E enriquece de amor o chão da vida.

Não te amargure o temporal violento
Que invade a Terra em fúria desmedida,
De esperança a esperança e lida em lida,
Dissiparás a angústia e o sofrimento.

Segue, plantando o bem por onde fores,
Deixando ao tempo o fel das próprias dores,
Por mais que a provação te envolva a estrada !...

Além da imensa noite, espessa e fria,
Cristo é o Divino Sol do novo Dia,
Anunciando a Nova Madrugada!...


Hino do Repouso
Auta de Souza

Rasgaram-se os véus da noite...
Novo dia resplandece.
Viajor, descansa em prece
Ao lado da própria cruz.
No firmamento dourado
Rebrilha a aurora divina,
Porque a morte descortina
Vida nova com Jesus.

Esquece a aflição do mundo!
No seio da crença, olvida
Todas as sombras da vida,
Todo sonho enganador...
Sob a bênção da alegria,
Na esperança que te veste,
És a andorinha celeste
Voltando ao ninho de amor.

Repete, agora conosco _
“Bendita a dor santa e pura
Que me deu tanta amargura
E tanta consolação”.
E orando, em paz, no repouso,
De alma robusta e contente,
Agradece alegremente
A própria libertação.

Descansa! Que além da sombra,
Outra alvorada te espera!
Abençoa a nova esfera
A que os Senhor nos conduz.
Delatarás, muito em breve,
Todo o júbilo que vazas,
Desdobrando as próprias asas
No Reino da Eterna luz!

Hino ouvido pelo médium Francisco Cândido Xavier, junto ao leito de morte da Senhora Maria Pena Xavier, no momento de sua desencarnação, na noite de 10.03.49, em Pedro Leopoldo. O hino era cantado por um coro de espíritos amigos, em conjunto de oração.

segunda-feira, 3 de abril de 2023

O cachorro e o prego!

O cachorro e o prego!

Há uma metáfora muito interessante, que narra a viagem de um escritor.

Em dado ponto da estrada, que cortava um deserto norte-americano, o homem resolve parar o carro num posto de gasolina para abastecê-lo. Vê um velhinho perto da bomba de combustível e ao seu lado um cachorro deitado, que uivava de dor. O homem pede que o velhinho ponha a gasolina e fica observando intrigado o cachorro, que não para de gemer.

– O que acontece com esse cão? – Perguntou o escritor ao velho. – Por que ele não para de uivar?

– Ah! É porque ele está deitado na tábua.
– Só por isso?
– Bem, é que na tábua há um prego.
– Sei… E porque ele simplesmente não sai de cima do prego?
– Meu amigo – responde o velhinho -, é porque a dor é suficiente apenas para que ele gema e se lamente. Mas não é suficiente para que ele saia de cima do prego.

Em muitos momentos agimos assim. Algo nos incomoda, chateia e atrapalha o crescimento em diversos sentidos. Contudo, nos habituamos tanto àquele estado de coisas que vamos deixando simplesmente as coisas ficarem como estão. 

Até nos queixamos, reclamamos, mas pouco empreendemos na direção de uma mudança real.

A possibilidade de mudança está na atitude e não na fala. Falar apenas é um hábito que nos mantém em cima do prego.

Quantos de nós continuamos sentados, parados, acomodados, somente reclamando, chorando, mas sem fazer absolutamente nada? Será que o nosso prego não está doendo o suficiente?


(Autor desconhecido).

 



sexta-feira, 24 de março de 2023

“A mendiga e o samurai”

“A mendiga e o samurai”

 Surpreendente conto japonês que fará com que você repense seus relacionamentos.

Conta-se que um bravo samurai viveu na ilha de Hokaido, no norte do Japão. Ele era um senhor feudal que possuía grandes áreas de terra, tendo, assim, muitos súditos. Tudo adquiriu após diversas batalhas,  comandando as tropas do Imperador.

Certa feita, após uma guerra, voltou para a sua terra natal e decidiu que iria casar-se. Tratava-se de um homem forte e belo e, quando a notícia de que o Samurai desejava casar-se se espalhou, por toda a ilha as mulheres ansiavam por desposá-lo. As mulheres mais bonitas da ilha e de outras ilhas mais distantes o visitavam em seu palácio, sendo que muitas delas lhe ofereceram, além de sua beleza e encantos, muitas riquezas. Nenhuma, contudo,  o satisfez o suficiente para se tornar sua esposa.

Um dia, uma jovem maltrapilha e simples  chegou ao palácio do samurai e, com muita luta, conseguiu uma audiência:
“Eu não tenho nada material para lhe oferecer, só posso lhe dar o grande amor que sinto por você”. Como prova, complementou: “Se você me permitir, eu posso fazer algo para te mostrar esse amor”.

Isso despertou a curiosidade do samurai, que lhe pediu para dizer o que poderia fazer.

“Vou passar 100 dias em sua varanda, sem comer ou beber nada, exposta à chuva, sereno, sol e frio à noite. Se eu aguentar esses 100 dias, você me fará a sua esposa”, afirmou a jovem.

O samurai, surpreso (embora não comovido), aceitou o desafio. Ele disse: “Eu aceito. Se uma mulher pode fazer tudo isso por mim, ela é digna de ser minha esposa”.

Dito isto, a mulher começou seu sacrifício.

Os dias começaram a passar e a mulher suportou bravamente as piores tempestades. Muitas vezes ela sentia que desmaiava de fome e frio, mas encorajou-se a por imaginar que que finalmente estaria ao lado de seu grande amor.

De tempos em tempos, o samurai mostrava seu rosto do conforto de seu quarto para vê-la e acenava com o polegar.

À noite a temperatura caiu para muitos graus negativos e isso por si só deveria ser de uma grande penúria, porque ela não tinha um único cobertor.

Foi assim que o tempo passou: 20 dias, 50 dias… As pessoas da ilha ficaram felizes porque pensaram: Finalmente teremos uma esposa para o nosso senhor!

90 dias … O samurai continuou a mostrar a cabeça de vez em quando para ver como estava o sacrifício de sua pretendente: “Esta mulher é incrível”, ele pensou consigo mesmo, e lhe deu encorajamento novamente.

O dia 99 finalmente chegou e todos os habitantes da ilha começaram a se reunir nos arredores do palácio para ver o momento em que aquela mulher se tornaria a esposa do samurai. Eles estavam contando as horas, às 12 horas daquele dia, eles teriam um casamento.

A pobre mulher, em sua grande simplicidade, foi ainda acometida por extrema fraqueza e por doenças… Então algo inseperado aconteceu: às 11 da noite do centésimo dia, a mulher corajosa se rendeu e decidiu se retirar daquele palácio. Deu uma olhada triste no samurai que o fitava surpreso e saiu sem dizer uma palavra.

As pessoas ficaram chocadas! Ninguém conseguia entender por que aquela mulher corajosa desistira de apenas uma hora a mais para ver seus sonhos se tornarem realidade. Ela já havia suportado tanto!

Ao chegar em sua casa, seu pai já sabia da sua desistência e perguntou: “Por que você desistiu de ser a esposa do grande samurai?”

E, para seu espanto, ela respondeu: “Eu tinha 99 dias e 23 horas em sua varanda, suportando todos os tipos de calamidades e ele foi incapaz se me liberar desse sacrifício. Ele meu viu sofrendo e só me encorajou a continuar, sem mostrar nem um pouco de compaixão pelo meu sofrimento. Eu esperei todo esse tempo por um vislumbre de bondade e consideração que nunca veio. Então eu entendi: uma pessoa tão egoísta, imprudente e cega, que só pensa em si mesma, não merece meu amor!”

Isso nos faz refletir: quando você ama alguém e sente que para manter essa pessoa ao seu lado você tem que sofrer, sacrificar sua essência e até implorar, mesmo que doa, se retire. E não tanto porque as coisas ficam difíceis, mas porque quem não faz você se sentir valorizado, quem não é capaz de lhe doar o melhor de si mesmo, será incapaz de retribuir o compromisso e a entrega que você dispensou a ele e, DEFINITIVAMENTE, você merece um amor do tamanho de si.


terça-feira, 14 de março de 2023

A Fábula do Vento e o Sol

 A Fábula do Vento e o Sol

 



O vento e o sol começaram a discutir quem era mais forte. O vento disse: “vou provar que sou o mais forte. Vê aquele velhinho lá em baixo? Aposto que consigo tirar o casaco dele mais depressa que você”.

Assim o sol se escondeu detrás de uma nuvem e deixou o vento soprar até quase se transformar em um furacão. Porém quanto mais forte soprava, tanto mais o velhinho se embrulhava no casaco.

Finalmente o vento se acalmou e desistiu. Quando o sol ressurgiu, apenas sorriu levemente para o velhinho, e este secando o suor da testa com a mão, tirou o casaco.

O astro-rei disse então ao vento:

A bondade e a amabilidade são sempre mais fortes que a fúria e a violência.

(Fábula de Esopo).


terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

O Melhor de Todos

 O Melhor de Todos

 

Meu dia começou a azedar quando vi meu menino de seis anos com um galho cheio de minhas azaléas. - Posso levar estas flores para a escola? Ele pediu. Com um aceno de mão, eu o mandei para fora. Me virei para que ele não percebesse as lágrimas em meus olhos. Eu adoro aquela azaléa. Eu toquei no galho quebrado como que a dizer-lhe silenciosamente, - Sinto muito. Para complicar um pouco mais o meu dia, a máquina de lavar quebrou e quando Jonathan perguntou o que eu faria para o almoço, percebi que estava com a geladeira vazia e não tinha muitas opções. Dias como este me fazem querer parar e desistir de tudo. Eu apenas queria fugir até as montanhas, me esconder em uma caverna e nunca mais colocar a cara para fora. De algum modo eu consegui arrastar a roupa molhada até o tanque. Eu passei a maior parte do dia lavando roupa e pensando em como o amor tinha desaparecido de minha vida. Quando eu terminei de pendurar a última das camisas de meu marido, olhei o relógio: duas e meia. Eu estava atrasada. A aula de Jonathan terminava às 2:15. Fui correndo para a escola. Ofegante, bati na porta da sala e olhei através do vidro. A professora fez sinal para que eu esperasse. Ela disse algo a Jonathan e entregou para ele e para outras duas crianças, lápis de cera e uma folha de papel. O que virá agora? Eu pensei quando, através da porta, ela pediu que eu entrasse na sala. - Quero lhe falar sobre o Jonathan. Ela disse. Me preparei para o pior. Nada mais me surpreenderia naquele dia. - Você sabe das flores trazidas por Jonathan à escola hoje? Ela perguntou. Eu respondi que sim, lembrando de meu arbusto favorito e tentando esconder a mágoa em meus olhos. Eu olhei de relance para meu filho que estava ocupado colorindo um desenho. Seu cabelo ondulado estava muito comprido e caía em sua testa. Seus olhos azuis brilhavam enquanto admirava sua obra. - Deixe-me contar sobre o que aconteceu ontem, a professora continuou. Está vendo aquela menina? Eu olhei para a menina que ria divertida, apontando um desenho na parede e assenti. - Bem, ontem estava quase histérica. Seus pais estão atravessando um momento muito difícil, estão se divorciando. Ela disse que não queria mais viver. E disse bem alto, com o rosto escondido entre as mãozinhas, para toda a sala ouvir: "ninguém me ama". Eu fiz tudo o que pude para consolar, mas parecia que nada mais importava. - Eu achei que você queria me falar sobre Jonathan. Eu interrompi. - Eu vou, ela disse. Hoje seu filho entrou e foi direto até ela. Ele entregou a ela algumas bonitas flores e sussurrou "eu te amo". Senti meu coração inchar-se de orgulho com o que meu filho tinha feito. Eu sorri para a professora. - Obrigada, eu disse, puxando Jonathan pela mão. - Você salvou o meu dia. Mais tarde, eu arrancava ervas daninhas em torno de meu desequilibrado arbusto de azaléa. Pensando no amor que Jonathan demonstrou pela menina, um verso bíblico me veio à memória: "... estes três permanecem: a fé, a esperança e o amor. Mas o maior de todos é o amor." Enquanto meu filho tinha colocado o amor na prática, eu tinha apenas sentido raiva. Eu ouvi o barulho familiar do carro de meu marido entrando na garagem. Eu arranquei um pequeno galho de azaléas e corri até ele. Eu senti a semente do amor que Deus plantou em minha família recomeçar a florescer em mim. Meu marido arregalou os olhos de surpresa quando eu lhe entreguei as flores e disse, - Eu te amo.
 
 Escrito por Tradução de Sérgio Barros do texto de Nanette Thorsen-Snipes

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Um Som por um Perfume

Um Som por um Perfume

 


Um pobre viajante parou ao meio-dia para descansar à sombra de uma frondosa árvore. Ele viera de muito longe e sobrara apenas um pedaço de pão para almoçar. Do outro lado da estrada, havia um quiosque com tentadores pastéis e bolos; o viajante se deliciava sentindo as fragrâncias que flutuavam pelo ar, enquanto mascava seu pedacinho de pão dormido. Ao se levantar para seguir caminho, o padeiro subitamente saiu correndo do quiosque, atravessou a estrada e agarrou-o pelo colarinho. - Espere aí! - gritou o padeiro. - Você tem que pagar pelos bolos! - Que é isso? - protestou o espantado viajante. - Eu nem encostei nos seus bolos! - Seu ladrão! - berrava o padeiro. - É perfeitamente óbvio que você aproveitou seu próprio pão dormido bem melhor, só sentindo os cheirinhos deliciosos da minha padaria. Você não sai daqui enquanto não me pagar pelo que levou. Eu não trabalho à toa não, camarada! Uma multidão se juntou e instou para que levasse o caso ao juiz local, um velho muito sábio. O juiz ouviu os argumentos, pensou bastante e depois ditou a sentença. - Você está certo - disse ao padeiro. - Este viajante saboreou os frutos do seu trabalho. E julgo que o perfume dos seus bolos vale três moedas de ouro. - Isso é um absurdo! Objetou o viajante. - Além disso, gastei meu dinheiro todo na viagem. Não tenho mais nem um centavo. - Ah... - disse o juiz. - Neste caso, vou ajudá-lo. Tirou três moedas de ouro do próprio bolso, e o padeiro logo avançou para pegar. - Ainda não - disse o juiz. - Você diz que esse viajante meramente sentiu o cheiro dos seus bolos, não é? - É isso mesmo - respondeu o padeiro. - Mas ele não engoliu nem um pedacinho? - Já lhe disse que não. - Nem provou nem um pastel? - Não! - Nem encostou nas tortas? - Não! - Então, já que ele consumiu apenas o perfume, você será pago apenas com som. Abra os ouvidos para receber o que você merece. O sábio juiz jogou as moedas de uma mão para outra, fazendo-as retinir bem perto das gananciosas orelhas do padeiro. - Se ao menos você tivesse a bondade de ajudar esse pobre homem em viagem - disse o juiz -, você até ganharia recompensas em ouro, no Céu. 

(Autor desconhecido).

Flores para o Dia das Mães

Flores para o Dia das Mães

 


Quando meu marido anunciou calmamente que, após onze anos de casamento, havia dado entrada em nosso divórcio e estava saindo de casa, meu primeiro pensamento foi para os meus filhos. O menino tinha apenas cinco anos e a menina, quatro. Será que eu conseguiria nos manter unidos e passar para eles um sentido de "família"? Será que eu, criando-os sozinha, conseguiria manter o nosso lar e ensinar-lhes a ética e os valores dos quais certamente precisariam para a vida? A única coisa que eu sabia era que precisava tentar. Freqüentávamos a igreja todos os domingos. Durante a semana, eu arranjava tempo para rever os deveres de casa com eles e, freqüentemente, discutíamos a importância de fazermos as coisas certas. Isso me tomava tempo e energia quando eu tinha pouco de ambos para dar. Mas o pior era não saber se realmente estavam absorvendo tudo aquilo tudo. Ao entrarmos na igreja no Dia das Mães, dois anos após o divórcio, notei carrocinhas cheias de vasos com os as mais lindas flores ladeando o altar. Durante o sermão, o pastor disse que, a seu ver, ser mãe era uma das tarefas mais difíceis da vida e que merecia não só reconhecimento como, também, recompensa. Assim, pediu que cada criança fosse até a frente da igreja para escolher uma linda flor e entrega-la à mãe como símbolo do quanto era amada e estimada. De mãos dadas, meu filho e minha filha percorreram o corredor com as outras crianças. Juntos, refletiram sobre qual planta trazer para mim. Nó havíamos passado momentos muito difíceis e esse pequeno gesto de valorização era tudo que eu precisava.. Olhei aquelas lindas begônias, as margaridas douradas e os amores-perfeitos violetas e pus-me a planejar onde plantar o que quer que escolhessem para mim, pois certamente trariam uma linda flor como demonstração do seu amor. Meus filhos levaram a tarefa muito a sério e olharam cada vaso. Muito depois de as outras crianças já terem retornado aos seus lugares e presenteado suas mães com uma linda flor, meus dois ainda escolhiam. Finalmente, com um grito de alegria, acharam algo bem no fundo. Com sorrisos exuberantes a iluminar seus rostos, avançaram satisfeitos pelo corredor até onde eu estava sentada e me presentearam com a planta que haviam escolhido como demonstração de seu apreço por mim pelo Dia das Mães. Fiquei olhando estarrecida para aquele pequeno ser roto, murcho e doentio que meu filho estendia em minha direção. Aflita aceitei o vaso de suas mãos. Era óbvio que os dois haviam escolhido a menor planta, a mais doente de todas ¾ nem flor tinha. Olhando para rostinhos sorridentes, percebi o orgulho que sentiam daquela escolha e, sabendo o quanto haviam demorado para selecionar aquela planta em especial, sorri e aceitei a lembrança. Mais tarde, no entanto, tive de perguntar ¾ de todas aquelas flores maravilhosas, o que os havia feito escolher justamente aquela para me dar? Todo orgulhoso, meu filho declarou: ¾ É que aquela parecia precisar de você, mamãe. Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, abracei meus dois filhos, bem apertado. Eles acabavam de me dar o maior presente de Dia das Mães que jamais poderiam ter imaginado. Todo o meu trabalho e sacrifício não havia sido em vão ¾ eles iam crescer perfeitamente bem.

Do livro: Histórias para Aquecer o Coração das Mães Jack Canfield, Mark Victor Hansen e outros .- Editora Sextante.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Evangeliza - O Tesouro e o Trabalho

O Tesouro e o Trabalho


Narra uma lenda que um pescador muito preguiçoso dormiu à beira do rio, de onde deveria retirar o seu sustento, e ali sonhou.

Sonhou que encontrou em um campo um cântaro de ferro e tendo nele introduzido a mão, descobriu uma reluzente moeda de ouro.

Os olhos do pescador brilharam com intensidade. Tornou a introduzir a mão no cântaro por diversas vezes e, em cada uma delas, encontrava uma nova moeda igual à primeira.

Finalmente despertou e, animado pelo que sonhara, buscou alguém que lhe pudesse decifrar o significado daquelas imagens.

Um velho sábio, então, lhe falou: Não há mistério e qualquer um que queira pode decifrar o seu sonho. Vá até o rio, estenda as suas redes várias vezes e você haverá de descobrir, por si mesmo, o significado.

O pescador se encheu de bom ânimo e se dirigiu até o rio. As árvores frondosas das margens deitavam sombras sobre as águas cantarolantes e ligeiras.

O pescador viu vários peixes que nadavam na corrente. Rapidamente, lançou sua rede e apanhou alguns.

Novos peixes surgiram no seio profundo das águas e ele também os recolheu.

Assim trabalhou durante horas. Jamais pescara tanto. Pareceu-lhe, mesmo, que a pesca fora semelhante a de um mês inteiro.

Enquanto ainda estava na sua tarefa, ocorreu de passar pela margem um mercador. Ao ver os cestos abarrotados de peixes, aproximou-se e indagou o preço. Comprou todos por uma razoável quantia.

Foi só então, quando sentiu nas mãos as moedas tilintantes que o pescador compreendeu o verdadeiro significado do sonho e o sentido das palavras do velho sábio.

O cântaro nada mais era do que o rio de onde ele, pelo esforço do seu trabalho, tirava os peixes que, no mercado, se transformariam em moedas preciosas para as suas necessidades.

* * *

O trabalho é presença indiscutível no contexto do progresso. Sem ele, a vida permaneceria em seu caos inicial.

Tudo que existe é resultado do trabalho. A estátua que admiramos expressando beleza, fala do esforço com que o artista incansavelmente a trabalhou.

A terra florida e perfumada, ou o pomar repleto de frutos são a resposta das Leis do trabalho ao trato do solo.

Ao homem é concedida a honra do trabalho, que lhe permite desembaraçar-se do cipoal da ignorância, concedendo-lhe a alegria de exteriorizar a beleza e a harmonia que dormem latentes em sua intimidade.

Em qualquer situação, pois, o trabalho eleva quem o desenvolve e a ele se afeiçoa.

* * *

O trabalho é também terapia preventiva. Assim é quando preenche os espaços da mente e da emoção com o esforço do seu afeiçoado.

É também terapia curadora. Sempre que desperta o ser para a luta contra os seus limites, gerando possibilidades novas e meios de se recuperar.

O trabalho é Lei de Deus. Isso porque faculta ao homem crescimento no processo constante da evolução.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. Perfil do trabalho, do livro Perfis da vida,
pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco,
ed. Leal, e no cap. O cântaro milagroso, do livro Lendas do céu e da Terra,
de Malba Tahan, ed. Melhoramentos.
Em 28.08.2009.



Contando Tesouros

Após a aula de Educação Física, o professor Jorge pediu aos seus alunos que se reunissem em torno dele.

Como hoje é nosso último dia de aula, eu vou lhes propor um desafio, falou ele.

Aquele que me trouxer o objeto mais caro, seja qual for, ganhará esta bola de futebol.

Os alunos ficaram afoitos. Assim, ao sinal do professor, saíram correndo pela escola, a fim de buscarem o objeto mais caro que pudessem encontrar.

Alguns entraram nas salas de aula, pedindo aos outros professores que lhes emprestassem seus relógios, anéis, colares.

Outros foram conferir os enfeites que ornamentavam a mesa da diretora, buscando por aqueles que, julgavam, seriam os mais caros.

Meia hora depois, conforme o combinado, reuniram-se novamente na quadra esportiva, com o intuito de apresentar seus objetos ao professor.

Um a um, cada aluno foi apresentando ao educador e aos colegas o objeto coletado.

Alguns haviam trazido joias. Outros, artigos preciosos de decoração. Houve até mesmo quem trouxesse equipamentos eletrônicos.

E, então, chegou a vez de João.

Ele se postou à frente dos colegas e retirou do seu bolso uma pequena fotografia, na qual estavam retratados sua mãe, seu pai, seu irmão mais velho e sua irmã caçula.

Os colegas, vendo objeto tão simples e comum, começaram a caçoar. As risadas que começaram meio tímidas logo cresceram em volume.

O professor repreendeu aquele comportamento e disse que cada qual era livre para apresentar aquilo que mais lhe aprouvesse.

Esperou, então, que todos os estudantes terminassem de apresentar suas conquistas e, pedindo silêncio, apontou o vencedor: João.

A turma não se conteve. Como poderia o professor ter escolhido a fotografia de João quando tantos objetos caros haviam sido apresentados?

Jorge, observando o alvoroço da turma, esperou pacientemente que eles se acalmassem e, dando voz a João, perguntou o motivo pelo qual ele apresentara aquele retrato de família.

Meus pais e meus irmãos são meu grande tesouro, respondeu o menino. Não há nada no mundo que, para mim, valha mais do que eles.

O professor, como que já esperando aquela resposta, sorriu para o garoto e o abraçou, lhe entregando o prêmio.

Depois, se dirigindo a toda turma, explicou: Recebemos da vida muitos tesouros: bens materiais, amizades, nossas famílias e muitos mais. Porém, alguns são mais valiosos do que outros.

O verdadeiro sábio,prosseguiu, é aquele que sabe dar o valor correto para cada um deles.

Sorrindo, finalizou: E, por acaso, existe bem mais precioso, mais caro e mais importante no mundo do que nossas famílias? Parabéns por nos lembrar disso, João!

* * *

O Criador, em toda Sua sabedoria, nos reúne em famílias a fim de que elas nos sejam laboratório de experiências.

Afinal de contas, como podemos almejar o amor ao próximo, o perdão, a caridade, a paciência e todas as outras virtudes, quando não as colocamos em prática nem ao menos com aqueles que são nosso próximo mais próximo?

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita, com base em conto de autoria ignorada.
Em 4.4.2014.


O Tesouro

Certa vez um homem procurou um sábio para ajudá-lo a encontrar um tesouro. Esse homem se chamava Omar e desejava ficar rico sem muito esforço.

Depois de ouvir Omar, o sábio lhe deu trinta livros e lhe disse que eles lhe dariam o tesouro de Ohlab.

Quando chegou em casa, Omar abriu o primeiro livro e verificou que ele estava escrito em árabe. Como não sabia ler árabe, matriculou-se em uma escola. Assim, leu o primeiro livro.

Nesse período ele resolveu trabalhar e conseguiu um emprego em uma loja, com um salário razoável.

Ao acabar de ler o primeiro e os demais livros escritos em árabe, ele aprendeu uma nova letra e acrescentou ao tesouro recebido. Agora ficou Ohlaba.

Os livros seguintes eram em hebraico. E ele foi aprender a ler naquela língua.

Conseguiu um emprego melhor. Era numa empresa de transporte de alimentos e ele teve um aumento de salário. Sua vida foi melhorando.

Concluindo a leitura dos livros em hebraico, ele colocou mais uma letra no tesouro que lhe dera o sábio. Agora ele tinha Ohlabar.

Os últimos dez livros eram em aramaico. E enquanto aprendia a língua desconhecida, ele teve nova chance. Passou a trabalhar na reforma e construção de casas.

O tempo passou.

Graças ao seu empenho, ele desfrutava de uma boa casa, roupas, dinheiro. Alguns amigos o consideravam rico.

Ao concluir a leitura do último livro, ele acrescentou mais uma letra àquelas anteriores. Agora ele tinha o vocábulo Ohlabart, com um h depois do O.

Omar olhou e tornou a olhar a palavra. Se aquele era o segredo do tesouro, ele não estava conseguindo decifrar. Voltou à casa do sábio e lhe disse que ele havia estudado árabe, hebraico e aramaico. Que trabalhara muito depois que o fora ver da primeira vez.

Contudo, apesar do estudo e do trabalho, ele não conseguia entender onde estava ou qual era o tesouro. Desolado, mostrou as letras que compunham a palavra Ohlabart.

O velho sábio o colocou frente a um espelho e, tomando da palavra escrita em um papel, a pos sobre o peito de Omar.

O que você está vendo? Perguntou o sábio.

Admirado, Omar viu a própria imagem refletida no espelho. Estava mudado. Seus músculos haviam enrijecido no trabalho, as mãos estavam calejadas e bem no meio do peito ele pôde ler: Trabalho, que era Ohlabart escrito de trás para frente.

Trabalho era o tesouro. Graças ao trabalho de estudar, ele crescera intelectualmente. Graças ao trabalho nas atividades profissionais a que se entregara, ele adquirira experiência e, bem assim, haveres materiais, que antes buscava de outras formas.

Sorriu, agradecido, e retornou para seu lar, para seus afazeres, sua família, seus estudos.

*   *   *

O trabalho é uma das Leis Divinas. E  todos têm o dever de trabalhar.

Mesmo aqueles que, tendo muitas posses, não necessitem do trabalho para seu sustento, devem utilizar o tesouro do tempo no estudo e em uma atividade útil para si ou ao seu semelhante.

*   *   *

Não menospreze a oportunidade do trabalho. Graças ao trabalho, o homem progride, cresce e se agiganta.

E lembre: toda atividade útil é trabalho.

Redação do Momento Espírita, a partir de conto de autoria ignorada.
Em 21.08.2009.


 



sábado, 18 de fevereiro de 2023

Evangeliza - Pai Nosso

Pai Nosso


Pai nosso, que estás nos Céus
Na luz dos sóis infinitos,
Pai de todos os aflitos
Neste mundo de escarcéus.

Santificado, Senhor
Seja o teu nome sublime,
Que em todo o Universo
exprime Concórdia, ternura e amor.

Venha ao nosso coração,
O Teu reino de bondade,
De Paz e de Caridade
Na estrada da redenção.

Cumpra-se o Teu mandamento
Que não vacila nem erra,
Nos céus, como em toda Terra
De luta e de sofrimento.

Evita-nos todo o mal,
Dá-nos o pão no caminho,
Feito de Luz no carinho
Do pão espiritual.

Perdoa-nos meu Senhor,
Os débitos tenebrosos
De passados escabrosos
De iniquidade e de dor.

Auxilia-nos também,
Nos sentimentos cristãos
A amar aos nossos irmãos
Que vivem longe do bem.

Com a proteção de Jesus
Livrai a nossa alma do erro,
Neste mundo de desterro,
Distante da Vossa Luz

Que a Vossa ideal igreja,
Seja o altar da Caridade,
Onde se faça a vontade
Do Vosso Amor… Assim Seja!

(XAVIER, Francisco Cândido. no livro “Parnaso de Além-Túmulo”. Pelo Espírito do Monsenhor José Silvério Horta).

Pai Nosso

Pai Nosso que estais no céu, na terra, em todos os mundos espirituais. santificado e bendito seja sempre o Vosso Nome, mesmo quando a dor e a desilusão ferirem nosso coração, bendito sejas.
O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje Pai, dai-nos o pão que revigora as forças físicas, mas dai-nos também o pão para o espírito.
Perdoai as nossas dívidas, mas ensinai-nos antes a merecer o vosso perdão, perdoando aqueles que tripudiam sobre nossas dores, espezinham nossos corações e destroem nossas ilusões. Que possamos perdoá-los não com os lábios e sim com o coração.
Afastai do nosso caminho todo sentimento contrário a caridade.
Que este Pai Nosso seja dadivoso para todos aqueles que sofrem. Como espíritas encarnados ou desencarnados.
Que uma partícula deste Pai Nosso vá até os cárceres, onde alguns sofrem merecidamente, mas outros, pelo erro judiciário.
Que vá até os hospícios iluminando os cérebros conturbados que ali se encontrão. Que vá aos hospitais, onde muitos choram e sofrem sem o consolo da palavra amiga.
Que vá a todos aqueles que nesse momento transpõe o pórtico da vida terrena para a espiritual para tenham um guia e o vosso perdão.
Que esse Pai Nosso vá até os lupanares e erga estas pobres infelizes criaturas que para ali foram tangidas pela fome, dando-lhes apoio e fé.
Que vá até o seio da terra onde o mineiro esta exposto a grande perigo, e que ele findo o dia possa voltar ao seio de sua família.
Que este Pai Nosso vá até os dirigentes das nações para que evitem a guerra e cultivem a Paz.
Tende piedade dos órfãs e viúvas. Daqueles que até esta hora não tiveram uma pedaço de pão. Tende compaixão dos navegadores dos ares, dos que lutam com os vendavais no meio do mar bravio. Tende piedade da mulher que abre olhos do ser à vida.Que a Paz e a Harmonia do Bem fiquem entre nós e estejam com todos.
Que Assim Seja.


Tesouro da Oração



Francisco Osuna, sacerdote místico espanhol do período renascentista - séculos quinze e dezesseis - na sua grande obra “Abecedário terceiro”, afirma que:

“A primeira forma de orar, a que se situa no plano da fé, é como escrever a um amigo.

A segunda forma de orar, situada no plano da esperança, é como escrever a um amigo e esperar por uma resposta.

A terceira maneira de orar, situada no plano do amor, é como se fôssemos pessoalmente à casa desse amigo.”

A antiguidade do conceito - mais de quinhentos anos - é de grande utilidade, porque esse amigo é Deus, cuja oração deve ser-lhe dirigida.

Trata-se de um grito emocional na hora da aflição encaminhado ao Pai Criador, como um ato de irrestrita confiança.

Noutras vezes, é uma descarga de angústias que necessita de socorro imediato e, por fim, é um enlevo de gratidão em delícia de emoção.

Por isso a oração, de maneira alguma se circunscreve apenas ao ato da rogativa. Também é instrumento de louvação e, por fim, de júbilo pelo bem alcançado, em forma de reconhecimento.

Orar é romper as barreiras mentais limitadoras das emoções e necessidades imediatas para alcançar os altiplanos da vida.

Nem sempre é tão fácil a oração assinalada pela perfeita integração da criatura com o Criador.

A falta do hábito salutar interrompe o fluxo do pensamento e ideias extravagantes interferem no ato, dificultando a sintonia.

A insistência disciplinadora, mediante a criação de novo programa, termina por facultar a doce interação entre quem ora e o destinatário.

Quando a fé ora, uma vibração ascendente superior rompe as cristalizações mentais e abre o psiquismo ao Senhor.

Quando a esperança ora, há uma natural comunhão que devolve a onda de luz que beneficia quem faz a solicitação.

Quando é o amor que ora, sucede uma fusão de psiquismos que culminam no êxtase.

* * *

Ainda associamos a oração a um ritual externo, a um endereçamento de palavras rebuscado, repleto de formalidades. São séculos e séculos de cultura arraigada na alma antiga.

Escrevemos a um Senhor que tememos, não conhecemos, e que mora muito longe...

Porém, quando desconstruirmos essa ideia – aos poucos, é claro – e transformarmos esse ato numa conversa de respeito, amizade e encanto, perceberemos que o Criador nunca esteve longe como imaginávamos. Nós é que criamos tal distância...

* * *

A palavra religião pode ter duas principais raízes.

Para alguns pensadores, o termo latino religare teria criado a palavra religião, numa alusão à necessidade de uma religação com o Criador.

Para outros, o termo pode ter vindo da palavra relegere, que significa reler, revisitar, retomar o que estava largado.

Que nossa oração aprenda a encurtar caminhos.

Que nossa oração nos faça perceber o Pai em tudo e em todos.

Que nossa oração seja, por si só, remédio para os pensamentos deletérios que ainda reinam em nossas mentes agitadas e confusas.

Que nossa oração – tesouro que temos – nos possibilite caminhar com os pés limpos, mesmo ainda pisando os pântanos do mundo.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 20, do livro Seja feliz hoje, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 3.5.2017.


domingo, 12 de fevereiro de 2023

Evangeliza - O anjo solitário

 O anjo solitário


Enquanto o Mestre agonizava na cruz, rasgou-se o céu em Jerusalém e entidades angélicas, em grupos extensos, desceram sobre o Calvário doloroso…

Na poeira escura do chão, a maldade e a ignorância expeliam trevas demasiadamente compactas para que alguém pudesse divisar as manifestações sublimes.

Fios de claridade indefinível passaram a ligar o madeiro ao firmamento, embora a tempestade se anunciasse a distância…

O Cristo, de alma sedenta e opressa, contemplava a celeste paisagem, aureolado pela glória que lhe bafejava a fronte de herói, e os emissários do Paraíso chegavam, em bandos, a entoaram cânticos de amor e reconhecimento que os tímpanos humanos jamais poderiam perceber.

Os Anjos da Ternura rodearam-lhe o peito ferido como a lhe insufladores energias novas.

Os portadores da Consolação ungiram-lhe os pés sangrentos com suave bálsamo.

Os Embaixadores da Harmonia, sobraçando instrumentos delicados, formaram coroa viva,  ao redor de sua atribulada cabeça, desferindo comovedoras melodias a se espalharem por bênçãos de perdão sobre a turba amotinada.

Os Emissários da Beleza teceram guirlandas de rosas e lírios sutis, adornando a cruz ingrata.

Os Distribuidores de Justiça, depois de lhe oscularem as mãos quase hirtas, iniciaram a catalogação dos culpados para chamá-los a esclarecimento a reajuste em tempo devido.

Os Doadores de Carinho, em assembléia encantadora, postaram-se à frente dele e acariciavam-lhe os cabelos empastados de sangue.

Os Enviados da Luz acenderam focos brilhante nas chagas doloridas, fazendo-lhe olvidar o sofrimento.

Trabalhavam os mensageiros do Céu, em torno do Sublime Condutor dos Homens, aliviando-o e exaltando-o, como a lhe prepararem o banquete da ressurreição, quando um anjo aureolado de intraduzível esplendor apareceu, solitário, descendo do império magnificente da Altura.

Não trazia seguidores e, em se abeirando do Senhor, beijou-lhe os pés, entre respeitoso e enternecido. Não se deteve na ociosa contemplação da tarefa que, naturalmente, cabia aos companheiros, mas procurou os olhos de Jesus, dentro de uma ansiedade que não se observara em nenhum dos outros.

Dir-se-ia que o novo representante do Pai Compassivo desejava conhecer a vontade do Mestre, antes de tudo. E, em êxtase, elevou-se do solo em que pousara, aos braços do madeiro afrontoso. Enlaçou o busto do Inesquecível Supliciado, com inexcedível carinho, e colocou, por um instante, o ouvido atento em seus lábios que balbuciavam de leve.

Jesus pronunciou algo que os demais não escutaram distintamente.

O mensageiro solitário desprendeu-se, então, do lenho duro, revelando olhos serenos e úmidos e, de imediato, desceu do monte ensolarado para as sombras que começavam a invadir Jerusalém, procurando Judas,  a fim de socorrê-lo e ampará-lo.

Se os homens lhe não viram a expressão de grandeza e misericórdia, os querubins em serviço também lhe não notaram a ausência. Mas, suspenso no martírio, Jesus contemplava-o, confiante, acompanhando-lhe a excelsa missão, em silêncio.

Esse, era o anjo divino da Caridade.

(XAVIER, Francisco Cândido. Do livro “Estante da Vida”. Mensagem do Espírito “Irmão X”).

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